Recentemente em entrevista ao idgnow o Prof Valdemar Setze expôs seus argumentos contra o uso do computador no processo educacional.
As preocupações do Prof. Valdemar Setze são válidas, no entanto extremamente questionáveis. Na concepção dele o computador é uma restrição tecnológica mas pensando desta forma o livro também é um restrição ao pensamento. Antes do advento do livro era necessário guardar todo o conhecimento em memória, com certeza são poucas as pessoas hoje capazes , por exemplo, de citar toda a bíblia. Ele esquece que o computador não é apenas uma ferramenta matemática mais também uma ferramenta de comunicação. Citando Eduardo Chaves:
“Na verdade uma das formas em que a gente aprende a usar a nossa capacidade cognitiva é interagindo com o meio ambiente e esse meio ambiente hoje é repleto de tecnologia. Nós encontramos tecnologia em qualquer lugar que a gente vai. Tentar fazer com que a educação abstraia desse universo tecnológico em que a criança vive, para que depois, lá pelos 14 anos, ela subitamente comece a interagir com esse ambiente todo, me parece irrealista no mundo em que nós vivemos hoje.”
Podemos enriquecer o debate não apenas com “opiniões” mas também com o histórico do uso do computador. Neste aspecto no século passado a França fez um grande trabalho no intuito de disseminar ferramentas computacionais no sistema educacional. O resultado não foi muito bom. No entanto suscitou as mesmas dúvidas que hoje existem (ver o livro “As tecnologias da Inteligência” de Pierre Lévy).
Ocorreram diversos outras tentativas de informatização(!) da educação como a francesa e muitas foram um fracasso mas serão elas um fracasso por causa da tecnologia ou por causa de adequação da tecnologia ao ambiente dos alunos. Talvez quem possa responder isso seja os educadores de Extremadura que conseguiram sucesso justamente integrando o computador a vida dos estudantes.
Em fim a humanidade evoluiu da oralidade para escrita e hoje evolui da escrita para o hipertexto. É natural que alguns escribas(!) vejam o uso das tábuas de argila apenas como uma forma de contabilizar cabras e não um meio da expressão e imaginação, se o pensamento deles fosse válido jamais teríamos um poema escrito. Como desenvolvedores de software temos que evitar sermos pegos por uma quebra de paradigma. O que o “Prof. Valdemar Setzer” tem que ver é que hoje o computador deixou de ser apenas uma ferramenta para matemáticos e com o advento da internet existe um novo paradigma.
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para ler:
Um bom contraponto das ideias do Prof. Valdemar Setzer estão no livro “As tecnologias da Inteligência” de Pierre Lévy .